novembro 15, 2003

70. Chris Shipley, «The Blog Nation»

Chris Shipley (Chris Shipley Group), colunista do Wisconsin Technology Network, produziu um texto intitulado «The Blog Nation». Nesse artigo produz algumas observações e considerações interessantes sobre os blogues e o blogging.

Autor: Chris Shipley
Título: «The Blog Nation»
Meio/Local: Online Media, Wisconsin Technology Network
Data: 12 de Novembro de 2003
Tema: Psico-Antropo-Sociologia do Blogging
Palavras-Chave: weblogs, blogging, desktop publishing, technology.
Língua: Inglês
País de Origem: EUA

The Blog Nation

I have resisted the urge to write about weblogs - until now. Truth be told - and probably something a so-called trend-spotter shouldn't admit - I'm not much for bandwagons. If everyone is going right, I'll move left just to avoid the crowd.

I confess that my first take on blogging was that it was just another technology-enabled fad. Any fool with an opinion could create a blog so that any other fool could read it. Of course, there was, initially, a bit of a technical hurdle so you knew that the blogging fool had some technical chops at least. Sounds a lot like the early days of Web publishing, the early days of desktop publishing, no doubt the early days of the printing press.

It is true that there are thousands of blogs scattered across the internet. It is also true that the top 100 blogs receive about 99 percent of all blog readership. And just like personal Web pages a half dozen years ago, there are thousands of abandoned blogs, posted and forgotten, even by their authors.

But also like Web pages, blogging will have a profound impact that is not initially evident. And that is why it's time to write about blog media.

To be sure, there is a faddish element to blogging. Does the world really care about the minutia of anyone's daily life? Will everyone need a blog the way they need a cell phone and email account? Certainly not.

Yet every new medium spawns a new generation of visionary publishers who see the medium for its unique attributes and find ways to exploit those attributes in a manner that re-invents and re-invigorates old-world publishing. (And perhaps we're most lucky that for once it appears that it is not pornographers who are taking the lead in the brave new publishing frontier.)

Blogging may be the first truly disintermediated, widely distributed and democratic publishing medium. Because blog media is low- or no-cost, there is no barrier to becoming a blog publisher. Indeed, anyone can create a blog. Whether anyone else reads it is another matter, but it is at this point where the reader, rather than writer/publisher, is truly empowered. In print or even online publishing, publishers assume their access to the printing press (physical or digital) washes them in journalistic integrity such that they can say to the reader,

"Trust me," without necessarily earning that trust. As readers, we are trained that the media establishment is legit, that they more or less print truths. That trust relationship is turned on its ear in blog media. The reader who returns again and again to the source says to the publisher, "I trust you." Breech that trust, and the feedback loop of comments and referring links and the like will relegate your blog to the long, long list of the unread. Credibility, point of view, integrity are the lifeblood of the blogger.

For this reason, exactly, it is more than probable that bloggers will become the most influential commentators on all aspects of business and society. They can publish quickly to loyal and trusting readers. The blogger's perspective will carry tremendous weight, just as the venerable New York Times or - in our industry - PC Magazine do with their readership. And just as savvy product marketers learned to court the favor of journalists in other media, they must learn to reach out to bloggers who will become the king makers of the future.

As for myself, I resisted creating a blog, though I was often encouraged to do so. After all, I write this newsletter, read by thousands of people each week and often excerpted and syndicated for countless others. Why do I need a blog? Two reasons: frequency and breadth.

The frequency issue is perhaps not what you imagine. It's not that having a blog enables me to publish more often, but rather than I can publish in the moment. I can post when I am most engaged with a new idea, captivated by some insight or issue. Is the frequency daily, hourly, monthly? It doesn't matter so much when, but at what point - the point of inspiration.

My blog also lets me explore a breadth of topics that are tangential to the issues that you, dear reader, expect to be the purview of DEMOletter. If I wrote a column here about local high school football - as I am doing for my blog - you'd no doubt look for the unsubscribe link at the bottom of this newsletter. No, you expect me to write about technology, products, and the impact these have on our business (primarily) and personal lives.

So I write two blogs these days. One lets me riff on technology's greater social implications. The other allows me to give my quick takes on new products, something that I don't do often enough in this column. (You can find these blogs from my Web site at http://www.cshipley.com/.)

Publicado por socioblogue em 01:56 AM | Comentários (280)

novembro 05, 2003

68. Segismundo, «Um blog é»

"Segismundo", do Albergue dos Danados, produziu uma pequena entrada onde apresenta mais uma contribuição para uma definição daquilo que é um blog.

Autor: "Segismundo"
Título: «Um blog é»
Meio/Local: Blogue, Albergue dos Danados
Data: 30 de Outubro de 2003
Tema: Psico-Antropo-Sociologia do Blogging
Palavras-Chave: blog, solidão.
Língua: Português
País de Origem: Portugal

Um blog é

Um blog tende a ser um expositor de solidão. Pode ser uma solidão fingida, ensaiada, simulada, negada, mas é, sempre, uma solidão, uma solidão projectada, projectada para os outros, uma solidão publicitada. Reconhecida pelos outros, essa solidão como que se desintegra, sem, no entanto, se desintegrar de facto. Começa aqui a ilusão da comunidade. E muitos caem nela. Como quem cai numa rede. Porque é reticular e não comunitária a plataforma onde as solidões, expressas nos blogs, se encontram. O engano é uma constante vital.

Publicado por socioblogue em 10:30 AM | Comentários (309)

outubro 28, 2003

66. Bruno Sena Martins, «Os Blogues agonísticos»

Numa pequena nota intitulada "Os Blogues agonísticos", Bruno Sena Martins (Avatares de Um Desejo), um dos metabloggers mais empenhados e consistentes, preconiza a existência de uma "transição motivacional" em alguns bloggers mais antigos. Vale a pena ler.

AUTOR: Bruno Sena Martins
LOCAL: Blogue, Avatares de Um Desejo
DATA: 27 de Outubro de 2003

Os Blogues agonísticos

Nas reflexões que os bloggers mais antigos vão fazendo da sua actividade, noto uma transição motivacional. Explico. Ao princípio o gosto de Blogar era mormente expresso como estando associado ao desejo de feedback, de um correlato ao que se escreve e faz na arena pública, algo que na blogosfera é bem superior a outros espaços de comunicação que, inclusive, muitas vezes, atingem um público mais vasto. Ao fim de uns meses a ênfase parece ser dada à obrigação que o blogger criou para com os seus leitores, às expectativas criadas e ao desejo de não as desiludir. Chamo a isto de escrita agonística. (sublinhado original)

Publicado por socioblogue em 01:17 AM | Comentários (19)

setembro 02, 2003

55. Francisco José Viegas, «Blogs, Não-Blogs»

55. Francisco José Viegas (Aviz) dedica mais algumas linhas à análise do mundo dos blogues.

Autor: Francisco José Viegas
Local: Blogue, Aviz
Data: 28 de Agosto de 2003

O pior que poderia acontecer aos blogs, além de elaborarmos códigos de conduta, seria determo-nos mais tempo do que o necessário nas razões que levam alguns bloggers a «encerrarem actividade». É provável que existam blogs que não resistam ao Verão ou que só existam porque há Verão, e disponibilidade, e vontade de falar. Isso dura enquanto dura. A natureza do blog é profundamente individualista — mesmo quando abriga vários individualismos. Acabam como começam, temos pena ou não, mas sabemos que ressuscitarão por aí, se ressuscitarem. O impulso que leva alguns bloggers a iniciarem actividade é precisamente o mesmo que os leva a «encerrar actividade». Alguns esgotam os seus objectivos. Alguns, outros, cansaram-se, e estão no seu direito. Outros mudam de rosto e não nos apercebemos (sim, sim). Têm uma marca de exibicionismo e de intimidade, de clarividência e de lugar-comum, de banalidade e de excepção. Tudo isso é natural. Que o Pedro, primeiro, tenha querido acabar com o Guerra e Pás e que o outro Pedro quisesse, depois, interromper o Flor de Obsessão é natural — porque as razões até estão lá inscritas (talvez mais no Guerra e Pás). Mas nada disso é dramático. Tudo isso estava escrito e inscrito, como disse.
Prevejo, de facto, que boa parte dos blogs acabem por estes dias, quando acabar o Verão, quando a vida ganhar «outro sentido» ou for necessário «regressar à vidinha». Um blog não é «um meio de comunicação social». O seu carácter flutuante diz-nos que «viver sempre também cansa», que há coisas que nascem da imensa harmonia do mundo, e que há outras que vêm do fundo da tempestade. Não interessa. Temos de ser tolerantes para com a própria natureza do blog, que é essa: existe enquanto existe.
Não sei quando acabará o Aviz. Vou escrevendo, tenho a noção de que escrever num blog é uma coisa precária (não tenho contador, não quero, não caio em tentação, não — claramente, não — acho que um blog tenha «audiência», talvez tirando o Abrupto), que somos voyeurs e objectos de voyeurismo em simultâneo. Mas há coisas que se dizem através dos blogs e há coisas que não digo através dos blogs. O que escrevo noutros lados não me impede de escrever o que escrevo no Aviz, mas não penso muito nisso. Não roubo tempo «ao outro lado» para escrever neste; nem roubo tempo «a este lado» para escrever no outro. Cada coisa — cada suporte — tem a sua natureza, mesmo que não a saiba identificar. No Aviz escrevo sobre a noite, sobre a insónia, sobre a minha fé e as minhas saudades, sobre política, sobre o que quiser, sem me importar com a opinião de Luís Delgado. Não tenho a ideia de uma «utilidade» dos textos; acho que há textos dos blogs que têm dignidade suficiente para serem publicadas em livro, numa revista, numa página de jornal; e há colunas de jornal que nunca deixaria que se publicassem no meu blog, porque nenhum preço paga aquela mediocridade, aqueles erros de gramática ou aquela falta de ideias. O mundo é um mistério, não é?
Acho que é por isso mesmo (por o mundo ser um mistério) que tenho um blog. Discuto com quem quero (e só com quem quero), discuto até onde quero (e só até onde quero), no registo mais «disponível» por que se possa optar. Provavelmente por ser assinado e se tratar de um blog público não é tão confessional como seria um «diário pessoal». Mas mesmo o carácter confessional da escrita, como se diz no Norte, «vai da pessoa». Muitas vezes, o Aviz é um texto único contra a noite, contra a insónia, contra os mosquitos que vêm com o Verão. E vai com a música que estou a ouvir.
Na generalidade, inclusive, penso que há blogs muito interessantes com que aprendi bastante — sobre literatura, sobre filosofia, sobre política. Com outros, irrito-me em silêncio porque prolongam aqui a ignorância que se detecta nas «conversas de circunstância», reproduzindo erros e omissões da imprensa generalista ou da mais alinhada. Mas por isso mesmo defendo a inexistência de qualquer código de conduta senão aquele que deriva do bom- senso — que é uma coisa muito pessoal. Desconfio daqueles que vêm educar as massas e arrebanhar multidões (acho o proselitismo muito discutível). Desconfio ainda mais daqueles que se vêem investidos da missão de «acordar consciências» para pôr toda a gente a discutir e a «debater». Aqui deixamos o que queremos e só somos julgados por isso. Acho bem que existam blogs que citem, citem, citem, que exponham as suas paixões e que escondam os seus amores. Tudo se nota, quando é escrito. Escrever profundamente é mostrar os lugares da paixão (a paixão, a divergência, o ressentimento, o amor, a delicadeza, a tranquilidade), mas só quando se quer. Muitas vezes é só insónia. Só perguntas: e a noite, o que é? — por exemplo.
Fazer de um blog mais do que isso já me parece extravagância.

Publicado por socioblogue em 12:14 PM | Comentários (15)